03/11/2009

PARA VOCÊ E EU



Terça-feira, 03.11.2009, 13:56hs

Tem certas vezes em que estamos sensíveis, vezes em que ficamos prestes a cantar ou a orar: “Senhor seja Rei sobre a minha vida!”
Há talvez momentos de reunião, ou de profunda solidão, em que precisamos e dizemos coisas do tipo:
“Senhor, governa as minhas atitudes, minhas palavras! Senhor reina em minha vida!”
Será que quando surgem estes momentos Deus não nos escuta?
Sim, nestes momentos Ele escuta a mim e a você!
Porém, Deus não quer ser Rei na nossa vida "apenas nestes momentos", mas em toda a nossa História; não apenas quando estamos na Igreja, ou em momentos de comunhão, ou quando estamos em apuros, mas também quando estamos dentro de casa, com o nosso cônjuge, com nossos filhos, ou com os nossos pais; quando estamos no trabalho, ou na escola, ali também Deus deseja ser Rei sobre a nossa vida! Para isso há um preço a ser pago por nós!
Jesus já pagou o preço por nossas vidas na cruz do Calvário, a parte que independe do nosso arbítrio já foi paga; mas o mesmo Jesus disse também: “Se alguém quiser me acompanhar negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”
Não há como compartilharmos da eternidade com Cristo, sem que também não compartilhemos do seu sofrimento, parcialmente em nosso cotidiano.
Existe um preço que precisa ser pago por nós, e esse preço é a negação da nossa própria vontade a fim de que a vontade de Deus seja feita em nossas vidas, e isso não apenas na Igreja, não apenas no nosso canto solitário, mas quando estamos em qualquer lugar e somos tentados a fazer algo que desagrade ao Senhor!
Ali, na hora em que somos tentados a fazer aquilo que agrada apenas a nós, mas não a Deus, ali Deus precisa reinar na nossa vida! E que não seja feito o nosso querer, mas sim o querer de Deus; e que digamos não a nós mesmos!
Quando você está em sua casa e de repente uma íra chega à porta do seu coração por algo que lhe fizeram, é também hora de você dizer em seu íntimo: “Senhor reina na minha vida para que não seja feita a minha vontade, mas a tua!”
Jesus nos chamou para que nós neguemos a nós mesmos! Para que neguemos nossa vontade que, tantas vezes nos impulsiona a retribuir o mal com o mal. Ele é quem diz: “Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo...”
Tantas vezes pedimos, até choramos, queremos que Deus reine nas nossas vidas, mas rapidamente continuamos a viver como se nada tivesse acontecido.
O Senhor quer reinar na nossa vida sim, mas como um todo! E isso significa que eu e você precisamos tomar a nossa cruz, precisamos negar a nós mesmos, deixando de lado nossas vontades, nossos projetos pessoais se estes são contrários aos de Deus. Precisamos deixar de lado nossos próprios planos a fim de que a vontade de Deus, os projetos de Deus e os planos de Deus sejam realidade em nossa vida.
Isso significa negarmos a nós mesmos e tomarmos a cruz.
Não adianta nada falarmos com Deus antes de dormir, e no dia seguinte vivermos como se o Senhor Jesus estivesse longe de nós.
De nada adianta dizermos para que Deus reine em nós, se no dia a dia não fazemos diferença no meio onde vivemos; se as nossas palavras não são temperadas com o sal, não edificam, não abençoam, falamos mal uns dos outros, nos dividimos.
É inútil dizermos: “Senhor tu és o meu Rei”- quando na nossa vida diária nós não andamos como Jesus andou, não vivemos como Jesus viveu, não negamos a nós mesmos como fez Jesus quando negou a própria vontade no Getsêmani dizendo: “Pai, não seja feita a minha vontade, mas a tua!”
Não se deixe enganar porque a porta é estreita, os padrões do Senhor são contrários aos padrões do mundo, a seleção do Senhor é muito criteriosa!
Precisamos negarmo-nos!
E são muitos em nosso país que tem negado a própria vontade. A vontade que chama para se envaidecer, para pensar em si mesmo, em como agradar ao mundo e não a Deus, para vivermos cheios de si, cheios de popularidade, de egoísmo.
São tantos que têm negado esta vontade para fazerem a vontade do Senhor!
Muitos inclusive são mortos literalmente em campos missionários, nos lugares de guerra, enquanto levam a Palavra de Deus aos que nunca ouviram falar em Jesus! Estes por nós não são conhecidos, mas os seus nomes e vidas brilham nas mãos do Senhor na eternidade!
Estes estão mortos, porém vivem! Enquanto isso tantos vivem sem saber que já estão mortos!
Tantos vivem, no entanto estão mortos nas trevas; trevas estas que enganosamente brilham, reluzem e não são ouro.
Pessoas presas nas próprias asas da liberdade.
Tantos que são escravos da vaidade, escravos da internet, escravos da necessidade de causar boa impressão, escravos de elogios, na sede pela massagem do ego, escravos do espelho, da novela, da mídia, do modismo, da popularidade, do dinheiro, escravos do que os outros vão pensar, escravos do ciúme, ou dos prazeres carnais, da superficialidade, do consumismo, escravos da depressão, escravos da pornografia, escravos de ídolos, de tradicionalismo, de liturgias, das supertições, escravos da religião, confundem os ensinamentos de Deus com religiosidade, escravos de calmantes ou da insônia, enfim são tantos preenchidos de mundo - e vazios de Deus que, sendo luz não habita em trevas.
Para enchermo-nos de Deus, precisamos nos esvaziar do mundo, purificarmo-nos, mediante o arrependimento verdadeiro, e o abandono da prática das coisas que não procedem de Deus, mas da nossa natureza pecaminosa, das influências da sociedade e do mundo.
Algumas vezes ainda falhamos, mas no novo estilo de vida com Deus sentimos profundamente quando ofendemos a Ele com nossas atitudes ou palavras, pois passamos a estar ligados Nele; então se erramos Ele nos inquieta, e outra vez nos arrependemos, outra vez há o perdão!
O estilo de vida com Deus é um processo de persistência, sacrifício, boa vontade, sinceridade, fidelidade ao Senhor, que consequentemente nos torna fiéis ao próximo.
Sentimos o olhar de Deus sobre nós, seus alertas, suas repreensões!
Assim como o pai corrige ao filho que ama, Deus corrige a quem o receber por Pai, e agir com Ele como filho! Pois a Bíblia diz que todos somos criaturas de Deus, porém nem todos somos filhos; existem os bastardos:
“Que filho há a quem o pai não corrija? Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos. Mas se estás sem disciplina da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos. Além do que, se reverenciamos nossos pais segundo a carne para nos corrigirem, não sujeitaremo-nos muito mais ao Pai dos espíritos para vivermos? Porque Deus nos corrige para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. E na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, mas de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela.” (Hebreus 12:7-11)
Sobre sermos filhos ou bastardos isso é escolha nossa. “Contudo, aos que O receberam, aos que creram em Seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus.”(João 1:12)
Os filhos do Senhor são aqueles que o recebem por Pai, aceitando Jesus Cristo como Senhor e Salvador, de modo que aquele que o recebe aqui na terra, Ele receberá como filho também no céu! Porém aquele que o negar, Ele também o negará. Isso é bíblico, imutável, histórico, real.
O homem foi criado para ter um relacionamento perfeito com Deus, mas por causa de sua desobediência e rebeldia escolheu seguir seu próprio caminho. Com isso, seu relacionamento com Deus se desfez. Este estado de independência de Deus é uma evidência daquilo que a Bíblia chama de pecado. Neste estado o homem está separado de Deus. “Pois o salário do pecado é a morte.”- separação espiritual de Deus (Romanos 6:23)
A saúde física e o fôlego humano não definem a vida.
Hoje tem sido fácil acreditar em clone, em extra terrestres, acreditar em bruxarias, mas quem acreditaria que...
“Cristo morreu pelos nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as escrituras, e apareceu a Pedro e, em seguida aos doze discípulos. Depois disso, apareceu a mais de quinhentos.” (1 Coríntios 15: 3,6)
E mais, imagine que antes de subir aos céus e após ter ressuscitado, Jesus Cristo ainda ficou por quarenta dias na terra, testificando a fidelidade de Deus e sua vitória sobre a cruz!
Quem quiser acompanhar Jesus na ressurreição, não basta dizer Jesus eu sou teu! Não!
Se alguém quiser acompanhá-lo este alguém deve negar a si mesmo dia após dia, instante após instante!
Todos os dias somos confrontados com renúncias constantes, e conquistamos vitórias diárias quando nos responsabilizamos por nossa cruz, quando nos comprometemos com Cristo!
Existe um caminho sim, onde há dor, onde há perda, onde há sofrimento, onde há humilhação, onde há entrega, onde há renúncia!
O mundo não entende, a sociedade não entende! Jesus disse que o mundo não entende isso. Mas a palavra do Senhor para mim e para você é: “...negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”
Você compartilha do sofrimento ao lado de Cristo quando a sua vontade é renunciada, quando o seu querer é deixado de lado, quando a sua prioridade passa a ser: obedecer e agradar a Deus.
Dói!
Mas depois desse caminho, há exaltação, há glorificação, há vida, há gratidão, há eternidade!
Você desfruta da certeza de que sua alma é do Senhor, protegida, renovada, e preservada da morte, ainda que o seu corpo esteja com os dias contados!
Mesmo havendo dor seguindo com Cristo, há sobretudo amor, perdão, compreensão, e um imenso prazer de viver submisso ao amor de Deus, amor que ser humano nenhum oferece, e prazer que o mundo não consegue imitar!
Neste mundo, o que parecer ser felicidade aos seus próprios olhos, é ilusão.
Os prazeres do mundo nos mancham, os prazeres derivados do amor de Deus nos purificam!
Dia após dia, diz o Senhor, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.
Se há ou não a cura não importa, pois ao que se entrega verdadeiramente ao Senhor nem mesmo a morte representa derrota; para nós, fechar os olhos na terra significa abrir os olhos no céu! Porque em Deus não somos simplesmente vencedores, somos mais que vencedores!
Aquele que quer viver esta vida como definitiva, ser sábio aos seus próprios olhos, viver seu ego, seus orgulhos, vaidades, seus próprios desejos, aquele que quer gozar, curtir, nutrir seus caprichos, encontrar a ilusória plenitude de vida em prazeres desta terra, há de perder a vida em um prejuízo definitivo. Mas o que negar-se, o que viver sob obediência e dependência plena do Senhor, o que perder a própria vida não vivendo mais para si, mas na submissão maravilhosa ao Senhor, este achará a vida eterna!
E pela graça, o Senhor ainda concede que se viva esta abnegação dia após dia prazerosamente; o prazer de compartilhar do sofrer de Cristo mediante a boa vontade de nossa entrega verdadeira, desinteressada, entrega voluntária se não pela dor, por amor, pois por amor tudo se torna mais fácil!
Tantos alegam que por amor são capazes de fugir com o namorado, por amor se rouba, por amor a mocinha deixa de ir à praia porque o namorado tem ciúmes, por amor o namorado evita de beber porque a namorada não gosta, por amor a mãe se sacrifica para dar o melhor para os filhos, por amor o pai evita de sair com os amigos no dia de folga, por amor ao ser humano abdicamos de tantas coisas, ou adequamos nosso comportamento para agradar...
Jamais se pensaria em abdicar de certas coisas e viver um novo estilo por amor a Deus?
Por amor a Deus entreguemo-nos a Ele!
Diminuamos nós, para que em nós cresça o Senhor!
A vida não tem sentido quando vivemos por nós mesmos, e para nós mesmos.
Esta vida não é definitiva e sim decisiva!
Fazer sacrifícios por amor a Deus é tão pouco diante do amor que Ele tem por nós. Nosso amor é finito, somos limitados; o amor de Deus é infinito, assim como Ele.
Não podemos escolher que Ele nos ame ou não. Ele é amor! Querendo nós ou não, Ele nos ama!
Agora amá-lo é escolha nossa.
Precisamos amá-lo...
Podemos amar alguém sem conhecermos intimamente?
Podemos conhecer alguém intimamente sem conversarmos intimamente?
Podemos assumir um compromisso com alguém que não amamos?
Não devemos paquerar com o Senhor, mas sim assumirmos um compromisso sério com Ele, e é isto que define nossa vida.
Mas... Você ama a Deus?
Você conhece a Deus?
Se sua resposta for negativa, busque-o!
Se a sua resposta for positiva, busque-o!
Conhecer a Deus e amar a Deus, é um processo constante que se inicia nesta vida, mas não se conclui nela.
Agradeço a Deus por você ter lido estas palavras, agradeço a Deus por sua vida!
Se até um fio de cabelo não cai da nossa cabeça sem a permissão do Senhor, este seu momento aqui é permissão ou vontade Dele.
Deus conhece o interior de cada um de nós, e nossas verdadeiras necessidades; necessidades estas que, às vezes nem nós mesmos conhecemos.

“Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa...” (Apocalipse 3:20)

Amém!



Por Suely S Araújo


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